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Estreou a 24 de junho de 2024, no âmbito de Aveiro 2024 – Capital Portuguesa da Cultura 

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Num dia improvável mas muito possível ou mesmo inevitável, toda a gente decidirá não sair de casa. O mundo parará e fará greve a si próprio. Nesse dia, haverá tempo para pensar, para respirar, para chorar copiosamente por todas as atrocidades cometidas por excesso de adrenalina, testosterona, estupidez ou maligna estratégia geopolítica. Depois, e mesmo para quem pode, alguns farão uma sesta. 


Outra tanta gente tomará um banho. Muitos e muitas serão os e as que limparão o ranho à camisola e ajeitarão a pouca roupa que trazem no corpo. Voltamos a sair. Daremos o braço a um próximo, a uma vizinha, a um desconhecido, a uma mãe, a uma filha. Sem nenhuma outra razão aparente que não um “estava a ver que nunca mais!”, desceremos todas as avenidas e chegaremos a esta praça. A praça que é uma escola, que é uma troca, que é o lugar para todas as classes e para todas as possibilidades. Trocaremos impressões. Trocaremos acepipes. Trocaremos propostas para os próximos 50 anos de abril. Ocuparemos as ruas, que é tudo o que precisamos para as transformar. E sem nos darmos conta, de longe chegarnosaquele som dos passos arrastados na gravilha, aquele ritmo moreno que toda a gente conhece. O passo faz-se compasso, o Cante desfaz-se em manifestação. A manifestação desarruma-se em marcha. A marcha dissolve-se no ar mas não se desvanece. A sua vibração mantémse no ar e nas ruas e volta a lançar na música o mote! A noite cairá. 


Convocamos a vossa presença com o pôr do sol, para um primeiro minuto do vosso silêncio enquanto respiramos esta ideia memorável de uma revolução precedida de uma greve do mundo.