{"id":232,"date":"2026-01-31T20:09:06","date_gmt":"2026-01-31T20:09:06","guid":{"rendered":"https:\/\/rotaclandestina.celeumasandbox.pt\/?post_type=projeto&#038;p=232"},"modified":"2026-01-31T20:09:06","modified_gmt":"2026-01-31T20:09:06","slug":"amore","status":"publish","type":"projeto","link":"https:\/\/rotaclandestina.celeumasandbox.pt\/en\/projeto\/amore\/","title":{"rendered":"Amore"},"content":{"rendered":"<p><strong>Cria\u00e7\u00e3o e dire\u00e7\u00e3o:<\/strong> Pippo Delbono<\/p>\n<p>\u00abQue pode uma criatura sen\u00e3o<br \/>\nentre criaturas amar?<br \/>\nAmar e esquecer, amar e malamar,<br \/>\namar, decisivamente, amar.<br \/>\nAmar o que o mar traz \u00e0 praia,<br \/>\no que ele sepulta, e o que na brisa marinha<br \/>\n\u00e9 sal, ou precis\u00e3o de amor, ou simples \u00e2nsia?<br \/>\nAmar o in\u00f3spito, o \u00e1spero,<br \/>\num vaso sem flor, um ch\u00e3o de ferro, uma ave de rapina.<br \/>\nEste \u00e9 o nosso destino: amar sem conta.<br \/>\nAmar a nossa falta mesma de amor\u00bb.<\/p>\n<p>Carlos Drummond De Andrade<\/p>\n<p>O projeto nasceu do encontro e da amizade entre Pippo Delbono e o produtor teatral italiano Renzo Barsotti, ativo em Portugal h\u00e1 anos, e do desejo de criar juntos um espet\u00e1culo sobre Portugal. A partir daqui come\u00e7a a pesquisa sobre o &#8220;amor&#8221; como um sentimento, um estado da alma. Uma verdadeira engrenagem no corpo humano, que seleciona, move, despeda\u00e7a e remonta tudo o que vemos, ouvimos, tudo o que desejamos.<\/p>\n<p>AMORE \u00e9 uma viagem musical e l\u00edrica atrav\u00e9s de uma geografia externa \u2013 al\u00e9m de Portugal, Angola, Cabo Verde \u2013 e uma interna, a das cordas da alma que vibram com a m\u00ednima batida de vida. As notas s\u00e3o as melanc\u00f3licas do fado, que explodem em impulso energ\u00e9ticos atrav\u00e9s da voz dos seus cantores, bem aberta, chegando a todos os cantos da sala; o ritmo ora de uma parada, ora de um tableau vivant, ora de uma lenta prociss\u00e3o; a imagem \u00e9 um quadro que muda de cores, aquece e arrefece.<br \/>\nE h\u00e1 depois a palavra po\u00e9tica, restitu\u00edda atrav\u00e9s do quente registo do artista da Lig\u00faria com o seu habitual, hipn\u00f3tico, cantarolar ao microfone. As palavras s\u00e3o de Carlos Drummond De Andrade, Eug\u00e9nio De Andrade, Daniel Dam\u00e1sio Ascens\u00e3o Filipe, Sophia de Mello Breyner Andresen, Jacques Pr\u00e9vert, Reiner Maria Rilke e Florbela Espanca.<\/p>\n<p>\u201cEste espect\u00e1culo \u2013 conta Pippo Delbono \u2013 apresenta uma dupla vis\u00e3o do amor. Por um lado \u2013 s\u00e3o os texto que ganham voz \u2013 metemo-nos todos \u00e0 procura daquele amor, tentando fugir ao medo que nos invade. Nesta viagem tenta-se evitar este amor, apesar de reconhecermos constantemente a urg\u00eancia; procuro-o, mas tamb\u00e9m o quero, e \u00e9 exactamente isto que causa medo. Mas o caminho \u2013 feito de m\u00fasicas, vozes, imagens \u2013 consegue, talvez, levar-nos a uma reconcilia\u00e7\u00e3o, a um momento de paz onde esse amor se possa manifestar para al\u00e9m de qualquer medo\u201d.<br \/>\nMantendo uma montagem emotiva que nunca \u00e9 completamente pacificada, \u00e9 uma gram\u00e1tica c\u00e9nica que alterna do cheio ao vazio, do canto \u00e0 m\u00fasica, da voz viva ao sil\u00eancio, \u00e0 procura de uma representa\u00e7\u00e3o on\u00edrica e eleg\u00edaca da cruel ressaca de desapego e reunifica\u00e7\u00e3o. Protagonista \u00e9 a aus\u00eancia, a dist\u00e2ncia, a saudade, uma cartografia de emo\u00e7\u00f5es que escava a alma do autor, dos seus interpretes e do pr\u00f3prio espectador, chamado a procurar, sempre com os olhos, o que falta e que, inexoravelmente, tarda a manifestar-se.<\/p>\n<p>AMORE quer ser uma tentativa de partilha de um encontro fugaz: o amor \u00e9 \u00abuma ave de rapina\u00bb que agarra e leva embora e que, ao faz\u00ea-lo, se apresenta como qualidade totalmente humana. As diferentes l\u00ednguas que se abra\u00e7am na trama sonora s\u00e3o express\u00f5es desta terra, Portugal, que acolhe e que deixa rasto; o impulso po\u00e9tico recorda-nos qual a forma de respeito que devemos sempre oferecer a estes impulsos da alma e que de outra forma est\u00e3o sempre sob o ass\u00e9dio do medo, da desconfian\u00e7a, da vergonha.<\/p>\n<p>AMORE \u00e9 ainda a tentativa de levar para dentro do teatro a vida. Nomeando esta palavra, invocando-a de um modo laico e sonhador, temos talvez a possibilidade de dar-lhe voz e, h\u00e1 muito uma grande ausente nos discursos p\u00fablicos, libertando-a da confus\u00e3o que reinou por toda a narra\u00e7\u00e3o desta odisseia global, assustadora, terrivelmente humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fotos:<\/strong> Estelle Valente\/S\u00e3o Luiz Teatro Municipal<\/p>","protected":false},"featured_media":233,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"rota":[4],"class_list":["post-232","projeto","type-projeto","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","rota-rota-clandestina"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rotaclandestina.celeumasandbox.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/projeto\/232","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rotaclandestina.celeumasandbox.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/projeto"}],"about":[{"href":"https:\/\/rotaclandestina.celeumasandbox.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/projeto"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rotaclandestina.celeumasandbox.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/233"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rotaclandestina.celeumasandbox.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=232"}],"wp:term":[{"taxonomy":"rota","embeddable":true,"href":"https:\/\/rotaclandestina.celeumasandbox.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/rota?post=232"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}