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A Floresta

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Estreou a 3 de outubro de 2025 no Auditório Municipal de Montalegre.

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Quanto vale o tempo de uma vida inteira? Quanto vale a minha ajuda? Quanto vale a ajuda de uma pessoa a outra? Um garrafão de água? O último garrafão de água no último dia da nossa era? Se o último garrafão de água potável do mundo fosse teu, o que farias com ele? E se essa água fosse o nosso tempo? E se esse garrafão fosse a tua ideia de tradição?  Não sentem que estamos perante um momento, que se não formos permeáveis poucas das nossas tradições vão passar para as gerações seguintes?
Como se a tradição pudesse guardar o tempo durante uma vida. Além da nossa vida. A vida antes dos nossos pais e avós mas também até aos nossos filhos e netos. O que une os antepassados e os descendentes a um lugar? O que há de invisível no fio dessa transmissão misteriosa? A tradição existe só nos seres humanos ou também no resto da Natureza? Onde? Em todos os corpos em movimento? Que tradição vai passar neste século XXI? Quando a ruptura de linguagens é tão grande e tão vasta que se estrutura pelo vazio, pela falta de tradição e por quem está longe dos centros urbanos? Os jovens já pertencem ao Mundo, mesmo! A tradição, por vezes rígida na sua passagem, não permite ser permeável ao presente. Se isto continuar na austeridade de passagem, o que fica? Será que passa? Não dá para termos conversas “sobre”? E não sabemos que tudo é cíclico e regressa-se ao autêntico em nós?
Do que falamos quando falamos de tradição? Poder? Querer muito? Rigidez? O ser humano e tudo ao nosso redor é movimento. A vida move-nos, somos movidos por ela. Estabelecemos diálogo? Mesmo por quem é mais novo? Por quem traz outras formas de receber e mostrar? … E que tal ouvir o outro, já que a sua vida foi e é completamente outra desde a tecnologia? A evolução entrou-nos porta, janela, brecha adentro? Onde crianças e adolescentes têm o árduo trabalho de se libertarem duma tecnologia que fez as relações reféns. Sentes-te refém? Já não consegues viver sem? Queres viver sem? Como vives? Esta Floresta que somos, esta diversidade de tempos, contornos, texturas… nossas.